25 agosto 2008

Site cria 'irmão gêmeo' virtual que conversa com seus amigos

Uma empresa australiana lançou na segunda-feira o MyCyberTwin, um site que cria uma "irmão gêmeo" virtual do usuário que conversa com outras pessoas enquanto você não está online. De acordo com Liesl Capper, responsável pelo site, é possível utilizar a tecnologia em blogs e sites de relacionamento, segundo a Cnet. "Ele pode conversar com seus amigos enquanto você dorme, ou dizer a pessoas onde é a festa no sábado", disse Liesl ao site.

O serviço permite a escolha de diversas personalidades, e depois de responder uma série de perguntas, o robô aprende mais sobre a personalidade do usuário, podendo conversar com outros de forma mais real. O site possui ferramentas que avaliam as atitudes, valores, gostos e desgostos da pessoa e coloca a personalidade no programa. Também é possível programar respostar a perguntas comuns ou ainda fazer perguntas.

"Sites e blogueiros vão querer este serviço para poder conversar com pessoas enquanto estão ocupadas. Empresas podem aprender de consumidores sem ter que falar com eles, disse Liesl.

http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1525696-EI4802,00.html

A emocionante vida do cheddar

Você já se perguntou de onde vem e para onde vão os queijos cheddar? Certamente não. Mas se algum dia bater a curiosidade, é só entrar no site Cheddarvision, uma espécie de big brother para espiar a emocionante vida de um queijo de 25 kg. É sério mesmo. O site foi criado por uma associação de fazendeiros dos EUA, que produz o laticínio. A utilidade? “Se o site realmente levar as pessoas a pensarem um pouco mais sobre a origem do queijo e o processo anterior a sua chegada aos supermercados, acredito que valerá a pena”, disse um dos fazendeiros. Não consigo mais parar de pensar sobre essa questão existencial...
http://http://www.cheddarvision.tv/

Site busca músicas cantadas por usuários

Sabe aquela música que não sai da sua cabeça mesmo sem você saber o nome dela? Uma companhia norte-americana lançou recentemente um site que identifica canções se os usuários cantarem ou assoviarem trechos delas no microfone do computador.

O site, www.midomi.com, possui uma tecnologia ativada por voz que analisa sons e os compara com um banco de dados de músicas.

A página também sugere links para músicas que podem interessar ao usuário baseados nas buscas que ele faz no site.

"Com midomi.com, criamos um dos mais divertidos mecanismos de buscas da Web", disse Keyvan Mohajer, presidente-executivo da Melodis Corporation, em comunicado enviado à imprensa.

Os usuários podem criar seus perfis, cantar suas músicas favoritas, compartilhá-las e serem encontrados por outros internautas.

China sob suspeita de fraude na ginástica

COI pede investigação da idade das chinesas que disputaram os Jogos

Chefes de equipes de ginástica de outros países afirmaram que as chinesas não aparentam ter 16 anos

Chefes de equipes de ginástica de outros países afirmaram que as chinesas não aparentam ter 16 anos (Crédito: REUTERS)

EFE

O Comitê Olímpico Internacional (COI) solicitou à Federação Internacional de Ginástica (FIG) que investigue a idade das ginastas da equipe chinesa feminina que disputa os Jogos de Pequim.

São cada vez maiores as suspeitas de que algumas das ginastas chinesas estão abaixo da idade mínima exigida, informou a porta-voz do COI, Giselle Davies.

A idade mínima das ginastas para poder competir nos Jogos é 16 anos, mas fortes e insistentes rumores dão conta de que as atletas He Kexin, Jiang Yuyuan e Jang Yilin não têm mais de 14.

MSN Esportes

Busca indica fraude chinesa na ginástica

Um hacker está causando polêmica ao exibir dados chineses que reforçam a idéia de fraude nas Olimpíadas.

O consultor de segurança Stryde Hax publicou informações obtidas no cache de buscadores como Google China e Baidu. Nestes registros, o Comitê Olímpico Chinês (COC) anota que a idade da ginasta He Kexin seria de 13 anos e nove meses neste momento, em que ocorrem as Olimpíadas. Depois, o COC teria alterado a mesma página para exibir a idade de 16 anos.

 

Pelas regras da competição só mulheres com pelo menos 16 anos completos podem participar. He Kexin ganhou a medalha de ouro nas barras assimétricas e foi decisiva para que a China conquistasse o ouro também na competição geral por equipes.

Segundo Hax, os chineses teriam mudado a idade de nascimento de He Kexin para colocá-la nos jogos e tentado apagar todos os registros de sua idade real.

As informações levantadas pelo hacker coincidem com a opinião de especialistas em ginástica, que consideram a aparência e forma física de Kexim incompatíveis com o de uma garota de 16 anos.

A descoberta esta causando grande polêmica nos Estados Unidos, principal rival da China nos jogos de Pequim. Nesta quinta-feira (21), jornais como o New York Times e redes como a CBN deram destaque às informações levantadas pelo hacker. O Comitê Olímpico Internacional poderá investigar o tema.

Busca indica fraude chinesa na ginástica - INFO Online - (21/08/2008)

Olimpíadas 2008 - Gatinhas às avessas?

Medalha de ouro por equipes na ginástica olímpica, chinesinhas chamam atenção por peso e altura e levantam suspeitas sobre alteração de idade para mais

Por Mauricio Teixeira, especial para o iG Esporte

PEQUIM (CHINA) - Com sorriso de menina, Deng Linlin corre para abraçar o técnico na apresentação que ajudou a garantir o ouro da ginástica artística por equipes femininas para a China.


Ginasta, de 31 quilos, no

colo do técnico (Reuters)

A foto impressiona. Com seus 1,37m de altura e 31 quilos, ela não é uma garota com 16 anos de idade normal. Pelo menos, esta é a idade que consta em seu registro nos Jogos Olímpicos. E até por este jeito de mais menina que as outras, a garotinha risonha é uma das principais personagens de uma polêmica capaz de tomar o lugar do doping no verbete "escândalos olímpicos" de Pequim 2008.

"Não faço idéia (se ela tem mesmo 16 anos). Não posso levantar esta bola. Mas poderia ser verdade. Uma das garotas tem um dente faltando", colocou lenha na fogueira a técnica norte-americana Martha Karolyi, ao falar do sorriso que mostra um buraco entre os dentes de Deng Linlin.

Ao contrário do que geralmente acontece no futebol, quando o garoto, chamado popularmente de "gato", tem a idade alterada para menos para destacar-se nas divisões de base, na ginástica artística é o contrário. Quanto mais nova, melhor.

"A menina com menos idade tem uma série de vantagens", disse ao iG Eliane Martins, chefe da delegação brasileira de ginástica artística. "Antes de ter a primeira menstruação, a menina tem menos peso, menos altura, menos influência de hormônios. É uma vantagem considerável para a ginástica", completou. Para se ter uma idéia da diferença, Jade Barbosa tem 47 quilos, dezesseis a mais do que Deng Linlin.

A reclamação da técnica norte-americana Karolyi precisa ser contextualizada. Pouco tempo antes de desviar o foco para o dente faltando de Deng Linlin, ela viu uma de suas melhores ginastas errar feio durante sua apresentação e, por isso, a equipe norte-americana, favorita, ficou sem o ouro.

A medalha era computada na conta yankee para vencer a China no quadro final de medalhas. Karolyi tem como aliado o marido, Bela Karolyi, que dias antes tinha feito outra observação dentária. "É só olhar na boca delas, são dentes de leite."

Se é choro de perdedor ou caso de polícia, o COI prefere não se meter. Deu o caso como encerrado e não comenta. Eles usam o princípio da boa fé e confiam nos dados passados pelo comitê chinês.

"Eu ouvi falar desta história quando estava no Japão no período de testes", disse Eliane. "Qualquer coisa que seja feita para burlar uma regra, é ruim. Mas não podemos afirmar nada", completou.

A disputa começou pouco antes da Olimpíada, quando a China anunciou seu time titular feminino. Duas das garotas apareciam em listas de campeonatos juvenis em 2006 e 2007 com nascimento em 1993 e até 1994. Os sites que continham estas informações foram bloqueados e a federação chinesa enviou cópia do passaporte de todas para a imprensa mundial.

Zhang Hongliang, dirigente da Federação Chinesa, disse que houve erros nos registros das datas de nascimento nos mencionados sites e que a informação correta é a que consta nos passaportes.

A data de nascimento de Deng Linlin, segundo este passaporte, é 21 de abril de 1992. O Brasil, por uma questão de 4 meses, perdeu a chance de inscrever Bruna Leal, uma atleta de abril de 1993 com muito potencial.

"As meninas desconfiam um pouco quando se deparam com uma atleta muito magrinha ou pequena e comentam com a gente. Mas não sabemos se é verdade e nem conhecemos a estrutura física das asiáticas para afirmar."

Ginástica - Hot Site Olimpíadas 2008 - Gatinhas às avessas?

Listas de desejos: para fazer antes de partir

 

Listas de desejos: para fazer antes de partir
:: Adília Belotti ::

Todo mundo sabe que vai morrer, mas saber “quando” faz uma imensa diferença. De certa forma estranha, é como se, de repente, nos tornássemos senhores do nosso destino. Esse tempo, daqui até o final, é mais nosso do que todos os outros dias, de “antes”, em que vivíamos displicentes, a ilusão da eternidade…
Se você soubesse que tem, digamos, apenas 3 meses mais para viver, o que faria? Que sonhos decidiria realizar? Que situações escolheria viver?
É esse o tema de “Bucket List“, o filme de Rob Reiner, o mesmo de “Harry e Sally“, lembram? Não que seja um grande filme, embora Jack Nicholson e Morgan Freeman sejam um espetáculo sozinhos, sem cenários... quem precisa? Mas é daquelas boas idéias, que viram roteiros corretos e fazem a gente gostar de ter ido ao cinema…
No filme, os dois homens são doentes terminais e decidem “chutar o balde”, ou seja, fazer tudo o que gostariam antes de partir…
Parece simples fazer uma lista de coisas para fazer antes de partir? Mas não é não, ao menos, se você for honesto consigo mesmo…Experimente: o que realmente, faria toda a sua vida ganhar sentido no último minuto? Como será que a gente precisa ter vivido, experimentado, sentido para chegar lá no final e conseguir dizer: OK, cada minuto valeu a pena…pode cair o pano!
A web ajuda:
No site 43things.com, você se inspira, cria sua lista, vê a lista dos outros, corrige, assinala os progressos, compartilha…
Os desejos campeões? Veja só:
- perder peso;
- parar de procrastinar;
- escrever um livro;
- apaixonar-se;
- ser feliz;
- fazer uma tatuagem;
- fazer uma viagem de carro, sem rumo, sem hora para chegar, uma “road trip”;
- beber mais água;
- casar;
- viajar pelo mundo.
Outra rede social de desejos, a Your 100 things, também tem listas compartilhadas, aqui, você ainda recebe estímulos de outros “desejantes”, palavras de apoio, votos de felicidade, coragem, você vai conseguir…
Conhecer a África, ter um filho, aprender chinês, viajar para o Peru com a família, comer saudavelmente, perder peso, dançar com a mulher, amar a humanidade, são alguns dos desejos mais comuns.
Muitos psicólogos aconselham fazer essas listas. Dizem que escrever cria um comprometimento nosso, e que o sonho começa a se realizar no momento em que conseguimos formulá-lo, extraí-lo do fundo de nós, arrancá-lo da correria do cotidiano. No mínimo, criar uma “bucket list” é uma forma de tomar consciência dos nossos desejos, iluminá-los, e, através deles, descobrir o que realmente é importante para nós…
No Omelete, você lê a crítica e a resenha do filme “Antes de Partir

Fonte : Listas de desejos: para fazer antes de partir

Philips exibe Eco LCD que poupa energia

 

Philips aposta na consciência ambiental / Divulgação

Philips aposta na consciência ambiental

SÃO PAULO - A Philips exibiu na CES um novo modelo de TV que promete consumir menos energia que qualquer outro painel LCD.

O modelo Philips Eco TV de 42 polegadas tem resolução de 1080p e porta HDMI como muitos outros televisores, porém exibe tecnologias que prometem reduzir fortemente o consumo de eletricidade.

Um dos recursos usa menos brilho em cenas de tela escura, o que segundo a Philips deixa o tom de preto mais real. Outro dispositivo lê a luminosidade do ambiente e ajusta o brilho da TV automaticamente.

Se o usuário vê TV numa sala ensolarada, ela aumenta o brilho. Se o filme roda à noite ou em sala escura, o brilho cai.

Todos os recursos podem ou não ser habilitados pelo usuário, o que permite ao consumidor desligar estas otimizações de consumo quando achar que está perdendo qualidade de imagem.

A Philips também modificou o sistema de stand-by, que neste modelo consome apenas 0.15 watt. O consumo médio da TV em funcionamento, diz a Philips, é de 75 watts, o equivalente a uma única lâmpada incandescente de média potência acesa.

Segundo a fabricante, não há no mercado painel LCD mais econômico em termos de consumo de luz. A TV deverá ser vendida comercialmente a partir de março, nos Estados Unidos, e custar menos de US$ 2mil.

INFO Online - Philips exibe Eco LCD que poupa energia - (10/01/2008)

Tv de LCD movida a energia solar

A Sharp revelou seu protótipo de uma Tv LCD de 26″ chamada Aquos TV, que funciona por meio de energia solar. A empresa diz que esta é uma solução para levar a televisão para 1.6 bilhões de pessoas que não tem acesso a eletricidade, e ajudar a economizar a já existente.

Esta TV usa metade da energia que uma LCD normal usa, em comparação com a 28C-PB500, uma CRT feita pela Sharp em 2002. O consumo economizado é de aproximadamene 25% a mais do que os modelos anteriores.

Um painel de bateria solar com um filme solar fino de tripla-junção avançado será usado para gerar a energia.  Este painel e TV estarão sendo apresentados durante o G8 em Hokkaido, que começa dia 7 de julho.

Fonte: Sharp

PORQUE DAR CANTADAS EM LOIRA NÃO DÁ CERTO...

 (homem) - Oi gata... Qual é seu telefone?
(LOIRA) - Nokia. E o seu?

(homem) - Uau! Isso aqui é uma calçada ou uma passarela de moda?
(LOIRA) - Hum, agora você me pegou... É que eu não sou daqui. Então não sei te informar...

(homem) - Eu não tiro o olho de você!
(LOIRA) - Ainda bem, né? Senão eu fico cega!

(homem) - Nossa! Eu não sabia que boneca andava!
(LOIRA) - Sério? Nossa, você tá por fora, hein? Já tem até Barbie que anda de bicicleta!

(homem) - Que curvas, hein!
(LOIRA) - Nem me fala... Eu bati o carro 7 vezes pra chegar nessa festa!

(homem) - Esse seu vestido vai ficar lindo jogado no chão do meu quarto!
(LOIRA) - Quer comprar um igual pra fazer um tapete? Eu te indico a loja...

(homem) - Quer beber alguma coisa?
(LOIRA) -Ai, que bom que você apareceu, garçom!

(homem) - Eu quero o seu amor, gata! (ESSA É A MELHOR)
(LOIRA) - Espera só um pouquinho... Amô-or! Tem um moço aqui querendo você!

21 agosto 2008

Pensão alimentícia não acaba aos 18

Wanessa Rodrigues

A pensão alimentícia não acaba mais quando o filho completar 18 anos. A extinção do benefício vai depender de decisão judicial, conforme súmula 358, aprovada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última segunda-feira. A súmula confere ao filho o direito ao contraditório, ou seja, a garantia de se manifestar sobre as condições de prover o próprio sustento. Especialistas do Direito afirmam que a súmula é acertada, pois a maioridade não significa que o filho não vá mais depender de seu responsável, isso em razão de estudo ou doença. A súmula tem caráter orientador e não vinculante, o que possibilita entendimentos diferentes entre os juízes.


“Com a edição desta súmula, os ministros estabeleceram que, com a maioridade, cessa o poder pátrio, mas não siginifica que o filho não vá depender do seu responsável. Às vezes, o filho continua dependendo do pai em razão do estudo ou doença”, explica o advogado especialista em Direito de Família e professor universitário Clodoaldo Moreira dos Santos Júnior. Ele salienta que não há estatística sobre o número de pedidos para a continuidade do benefício, mas afirma que, em inúmeras decisões, magistrados entendem que a pensão cessa automaticamente com a idade.


Clodoaldo observa que a tendência atual do Direito é atender o princípio da dignidade da pessoa humana. Assim, segundo ele, é lícito afirmar que a maioridade do filho não implica na interrupção do pagamento dos alimentos, deixa apenas de ter como causa o poder familiar e passa a subsistir com fundamento no princípio da solidariedade entre os parentes.


O especialista explica ainda que os filhos já podiam solicitar alimentos aos seus pais até os 24 anos. Isso porque, o atual regulamento do Imposto de Renda prevê que os filhos que estiverem em cursos de nível superior, conforme prevê o Direito Tributário, são considerados dependentes.


Especialista em Direito Tributário, o advogado Lourival de Moraes Fonseca Júnior ressalta que a decisão do STF não representa nenhuma alteração brusca na interpretação jurídica. Ele afirma que foi uma decisão extremamente correta de pacificar o que já era uma jurisprudência dominante. Fonseca salienta que, em tese, a súmula representa um reconhecimento de um princípio basilar do direito, que determina a atenção ao contraditório.


Fonseca observa que, apesar de aos 18 anos o cidadão obter a maioridade civil, isso não redunda em uma automática obtenção das condições mínimas necessárias para prover o seu sustento.


DECISÃO É PASSÍVEL DE INTERPRETAÇÕES


A desembargadora Maria Berenice Dias, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, uma das maiores especialistas em Direito de Família do Brasil, afirma que cerca de 10% dos pais que pedem à Justiça para parar de pagar pensão aos filhos usam a maioridade como argumento exclusivo. As alegações mais comuns são que o filho está inserido no mercado de trabalho, vive uma união estável ou tem uma idade muito elevada para estudar, como indício de que empurra a faculdade “com a barriga” para continuar tendo direito à pensão. Por esses três motivos, os pedidos dos pais costumam ser aceitos.


A desembargadora rebate que a Justiça não se presta a educar os filhos das pessoas e o dever de não sustentar a ociosidade dos jovens é um dever pedagógico dos pais. “Juiz não é pai. Enquanto a pessoa necessita, tem direito a alimentos (pensão alimentícia). Se o filho não foi educado para procurar se inserir no mercado de trabalho, a culpa não é do juiz.” Por fim, disse que, nos casos de abusos, em que o jovem não quer saber de trabalhar, cabe ao pai provar que se esforçou, mas o filho não respondeu como se esperava.


Não existe idade para se conquistar a independência financeira. Psiquiatras especializados no atendimento de jovens consideram correta a decisão do Superior Tribunal de Justiça de preservar o direito à pensão após os 18 anos. “Quanto antes o jovem conquistar a independência emocional, ou seja, a capacidade de tomar decisões, melhor. Mas chegar aos 18 anos não os torna independentes financeiramente. Essa é a idade que ingressam na universidade e, portanto, muitos continuam precisando de apoio em menor ou maior escala”, diz a o psiquiatra e psicoterapeuta Gilberto Henrique Fleury Guimarães. “Mesmo dentro do modelo norte-americano, rapazes e moças com 16 ou 17 anos saem de casa, mas às custas dos pais.” (Agência Estado)

JORNAL HOJE NOTÍCIA - GOIÂNIA - CLASSIFICADOS

18 agosto 2008

Quanto Vale um Indivíduo Chinês?

 

Por: Rodrigo Constantino

De que adianta uma abertura dos Jogos Olímpicos impressionante, se por trás dela consta o total desprezo pelo valor individual? Não obstante a impressão causada na abertura chinesa, de que homens mais parecem formigas organizadas de forma rigorosa como no Exército, eis que agora vem à tona a descoberta de que a pequena cantora estava apenas dublando outra. Lin Miaoke chegou a ser considerada uma estrela após “seu” desempenho cantando o hino chinês durante a abertura da Olimpíada de Pequim. Mas o Comitê Organizador dos Jogos teve que admitir que ela apenas dublou outra menina, Yang Peiyi, pois o Politburo chinês achou que sua voz não era boa o bastante, e que a verdadeira cantora não era bela o suficiente. Os dentinhos tortos de Yang fizeram com que os manda-chuvas da ditadura chinesa a ocultassem do público, usando outra menina em seu lugar, fingindo que cantava de verdade. E o trauma dessa pequena garota talentosa, como fica? No ímpeto de causar uma boa imagem ao mundo, vale tudo para os membros do Partido Comunista Chinês.
Einstein dizia que o nacionalismo é a “doença infantil da humanidade”. O filósofo Schopenhauer chegou a afirmar que “a individualidade sobrepuja em muito a nacionalidade e, num determinado homem, aquela merece mil vezes mais consideração do que esta”. Infelizmente, nada disso é levado em conta por parte dos coletivistas. A mentalidade tribal predomina, e o indivíduo é visto apenas como um meio sacrificável para os “interesses do grupo”. Quem determina tais interesses é algo que poucos questionam. Os autoritários encaram seres humanos como peças num tabuleiro de xadrez, que podem ser movidas ao bel prazer dos poderosos. Não podem! Ao menos não sem graves conseqüências. Adam Smith já havia compreendido isso no século XVIII, e por isso defendia um sistema de “liberdade natural”, com foco na preservação dos indivíduos. A China coletivista é o oposto desse sistema. O indivíduo chinês, mesmo que seja uma pequena garotinha talentosa, não vale muito. Deve se submeter aos “interesses coletivos” da nação. E como nação é um constructo mental, e não um ente concreto, todos devem aceitar as imposições de cima, decididas pelos governantes, que resolvem quais são os tais interesses nacionais.
Por ser totalmente contra esse coletivismo retrógrado e autoritário, que despreza totalmente o valor individual, prefiro torcer pelas medalhas e conquistas de um indivíduo feito Michael Phelps, que merece mesmo ganhar mais medalhas de ouro do que muitos países juntos.

Fonte: Rodrigo Constantino

17 agosto 2008

Vaio TZ350N, minilaptop de sangue azul

 

 

Passou aqui pelo INFOLAB um pequeno laptop do alto escalão da nobreza: o Vaio TZ350N, da Sony. É um modelo com tela de 11,1 polegadas, mais fino que as máquinas parrudas da marca e mais sofisticado que os netbooks, como o Eee PC e o MSI Wind.

À venda na loja online Sony Style americana por 1 999 dólares, o micrinho pesa só 1,2 kg e tem a seguinte configuração: processador Intel Centrino U7600 de 1,2 GHz, memória RAM de 2 GB e 120 GB de disco rígido. Vem com vídeo onboard GMA950, de 256 MB.

O que impressiona é a tela finíssima e de alta qualidade. Uma maravilha até para assistir filmes deitadão na cama, com o notebook no colo. E mesmo fino assim, ainda conseguiram colocar um gravador de DVD. Outro detalhe é o teclado, que, embora seja pequeno, é confortável e tem botões bem espaçados.

INFO - Gadgets INFO

OCZ faz solid state disk de 250 GB

 

A segunda geração dos SSDs da marca OCZ conseguiu aumentar em duas vezes a capacidade de armazenamento em disco e dar um upgrade nas taxas de leitura e gravação.

O Core Series SSD V2 chega em breve ao mercado americano, com opções de 30 a 250 GB. A velocidade nominal de acesso aos dados é de 170 MB/s, enquanto a de escrita é de 98 MB/s.

Para se ter uma idéia de como essa tecnologia tem evoluído rapidamente, a versão “antiga” do produto foi lançada no dia 1º de julho. Tinha, no máximo, 120 GB de espaço para arquivos e funcionava a 143 MB/s na leitura e 93 MB/s na gravação.

Os preços das crianças ainda não foram divulgados, mas a série anterior custa de 169 a 479 dólares.

INFO - Gadgets INFO

16 agosto 2008

Vamos todos impedir a regulamentação da profissão de analista de sistema

AkitaOnRails / 19.Apr.2008 at 08:22pm

Update 21/04: Este post do Paulino Michelazzo é muito bom. Recomendo.

O Rodrigo Kumpera disse tudo, essa lei de regulamentação de ‘analistas de sistema’ é pura perda de tempo e uma bobagem sem tamanho.

Aliás, grande novidade: desde quando político serve para alguma coisa além de queimar nosso dinheiro em lixo? Político bom é político morto.

Vamos colaborar: bloguem, divulguem e o principal, enviem sucata para a casa deles (endereços dos ditos no link acima). Tenho alguns quilos de sucata excedente aqui esperando um destino.

Mas tem que ser rápido! O tempo está se esgotando.

Obs: se quiserem ficar revoltados basta ler o texto integral dessa tal lei. Seria engraçado se não fosse trágico. Em resumo, serve para criar milhares de cabides (conselhos regionais e fiscalizadoras, bla bla bla), serve para nos roubar (anuidades a esses cabides), nos fazer voltar 30 anos no passado e frear o desenvolvimento tecnológico do país impedindo profissionais qualificados de atuar e dando passagem a diplomados desqualificados (não é uma discussão se ‘diploma é importante’ é o caso que programador não tem nada a ver com médico nem engenheiro).

Update 20/04: Como os comentários estão legais, resolvi acrescentar exatamente porque eu, pessoalmente, quero dar um tapa na orelha do infeliz que saiu com a idéia dessa “lei”.

Pelo menos no Brasil, toda vez que uma nova lei é sugerida a primeira pergunta que todos devem fazer é: a quem ela beneficia? E, não, a resposta não é “a população”. Deveria ser, mas no Brasil normalmente não é. Que beneficia políticos e lobistas isso não é novidade. Precisamos analisar, de fato, quem ganha com isso.

Além disso precisamos entender que toda justificava de lei é falaciosa. Políticos são mestres da argumentação – por isso são políticos. Vamos lá.

A Falácia

Antes de mais nada, o argumento que todos mais gostam:

“Engenheiro Civil, Cardiologista, Advogado criminal, Contador, etc todos eles precisam se formar, todos eles precisam de licença para trabalhar, todos eles pagam conselhos regulamentadores, enfim, todos eles são ‘regulamentados’. Por que programadores, analistas, cientistas da computação, acham que são mais ‘especiais’ e não precisam disso?”

Esse é o principal argumento e a chave dessa falácia.

Primeiro, vamos quebrar a premissa dessa falácia, que “desenvolvedor de software está na mesma categoria de engenheiro civil, ou médico, ou advogado”.

Se um engenheiro fizer um prédio ruim, ele cai. Se cair pessoas morrem. Isso é raro, mas mesmo assim ainda acontece.

Se um médico cometer um erro, o paciente morre. Se o advogado cometer erros, um inocente passa 30 anos na cadeia. Se um contador cometer erros seus clientes terão prejuízos financeiros importantes e um nome sujo junto à Receita Federal.

A comparação – errônea – é que se um programador “inexperiente” cometer um erro e deixar um bug para trás, um avião controlado por computador poderia cair. Um elevador controlado por computador poderia cair. Um equipamento médico eletrônico poderia matar um paciente. Um carro computadorizado poderia bater.

Logo, portanto, um programador despreparado não é menos perigoso do que um médico despreparado. E o pior, ele não é hoje considerado um perigo e, portanto, não é devidamente fiscalizado e nem punido.

Voltando no tempo

Antes de mais nada, a engenharia civil tem raízes desde antes dos tempos dos faraós e as pirâmides. Milhares de anos. A Medicina tem raízes também há muito tempo, desde os curandeiros das tribos até hoje. Advogar e todas as técnicas de argumentação existem desde que se existem pessoas.

Qualquer uma dessas profissões envolve um corpo de conhecimento extremamente complexo e, principalmente, muito mais completo e uniforme. Não significa que não estão em constante evolução. Mas a profissão se divide entre aqueles que apenas executam as técnicas que aprenderam (a maioria) e os que tem os recursos para investir em pesquisa e descobrir novas técnicas (a minoria).

Computação, no geral, é o oposto. Para começar, nossa área sequer tem um século de idade. O mercado em si, começou não faz 60 anos. Diferente de outras áreas, cada salto evolucionário na nossa área é como se saltássemos 1 século no futuro em outras áreas.

O maior problema de nossa área é que ela envolve tanto conhecimentos matemáticos como técnicas de engenharia. E com isso os leigos acreditam se tratar da mesma coisa: técnicas bem definidas com resultados bem definidos.

Não é esse o caso. Eu não iria tão longe quanto Pete McBreen em Software Craftsmanship mas é inegável que a maioria das pessoas parte das premissas erradas ao avaliar software.

Portanto, nossa área não é tão estável quanto as outras porque estamos em desenvolvimento acelerado onde cada passo muda a área completamente. Um único novo algoritmo pode mudar tudo o que fazemos. Um Google, um Linux é capaz de redefinir a maneira com pensamos e fazemos software.

Quebrando a Premissa

Desenvolvedores de Software não podem ser comparados a médicos ou engenheiros. Nós estamos mais para o lado do ‘artesanato’, da ‘arte’, ou seja, da experimentação.

Um único programador muda a maneira como ele faz a mesma coisa de projeto para projeto. Exatamente como um artista muda alguma coisa numa escultura. A técnica se ‘refina’ com a experiência e o convívio com outros artistas.

Nós combinamos diferentes ferramentas, com diferentes processos e cada um tem resultados muito diferentes do outro. Não existem critérios fixos para definir o que um “bom software” ou o que é um “mal software”.

Outra coisa: é impossível fazer um software 100% livre de erros. Bugs são artefatos inerentes à nossa prática e não podem ser evitados. Podem, sim, ser controlados mas nunca eliminados. Não existe uma única linguagem, uma única plataforma, um único conjunto de técnicas que garanta, com 100% de certeza, que bugs não existem.

Algumas coisas que aprendemos é entender que bugs existem e, por exemplo, nos preparar antecipadamente com suítes de testes. Nem isso, porém, garante 100%, apenas garante que os mais óbvios provavelmente foram cuidados. Quer aumentar a probabilidade de acerto? Aumente a quantidade de testes. Mas mesmo assim, depois de um certo tamanho ou quantidade, alguém precisaria garantir que os próprios testes não tem bugs (!)

Quanto a processos, alguns acham que basta aplicar CMMi, PMI, ou qualquer dessas bobagens para “garantir” um “bom software” ao final do processo. Outro erro. Nem mesmo XP ou Scrum são as respostas definitivas – mas obviamente são um grande passo à frente. Ainda não existe o processo que garanta 100% de certeza.

A Falácia do Diploma

Será que um músico diplomado é melhor que um Villa Lobos? Será que um pintor diplomado é melhor do que uma Tarsila do Amaral? Será que um escritor formado será melhor do que Machado de Assis? Será que o Washington Olivetto é um grande publicitário porque é formado? Ah, não, ele nunca concluiu o curso de publicidade da FAAP.

O que isso significa? Que eu sou contra a graduação?

Absolutamente não. Se Linus não tivesse passado pela Universidade de Helsinki, talvez não tivesse criado o Linux. Se Larry Page e Sergey Brin não tivessem feito Ph.D na Universidade de Stanford talvez sequer tivessem se conhecido e nem o Google teria existido. E a lista se segue, James Gosling por Carnegie Mellon, Bill Joy por Berkeley, Bjarne Stroustrup por Cambridge, Dennis Ritchie por Harvard, Yukihiro Matsumoto pela Universidade de Tsukuba.

Enfim, muitos dos grandes nomes da história da computação parecem ser formados. O que significa isso? Que todos nós, não formados, estamos perdidos?

Não, o problema aqui é a Falácia Informal

“Muitos grandes programadores da computação são formados. Portanto, a chave para se tornar um grande programador é se formar.”

Dados os dois cenários acima, entre artistas e programadores, eu diria o seguinte:

“Grandes programadores não são formados. Grandes programadores se formam.”

O fato desses grandes nomes terem terminado suas faculdades, pós-graduações e doutorados indicam apenas que eles identificaram valor nesse formação e foram atrás dela. Garanto que nas turmas de cada um deles havia dezenas de outros formandos, muitos lá apenas por inércia. Mas apenas um tem seu nome na Wikipedia hoje.

Um grande artista viaja à França atrás de conhecimento e inspiração por conta própria, não porque é um trabalho de sala de aula. Um grande programador lê Donald Knuth antes de dormir porque ele compreende o valor dos algoritmos, não porque precisa de créditos para o próximo semestre.

Problemas Brasil

O problema aqui é o Brasil, pra variar. E não, isso não é desculpa da ‘direita neo-liberal’ bla bla bla.

Para começar a maioria esmagadora de nossas universidades – pelo menos na área de computação – não chega nem perto das universidades americanas. Sim, sim, temos USP, Unicamp, algumas federais. Não estou falando das exceções.

Quase não existe incentivo à pesquisa nem pela iniciativa pública e nem pela privada. Não existe o equivalente Bell Labs, Microsoft Research, Google, ou outras centenas de empresas que primam por grandes investimentos em Research & Development. Empresas brasileiras não querem investir, querem faturar. Ok, estou generalizando, não contem as exceções nesse argumento.

Nosso sistema tributário e fiscal é uma vergonha nacional. Ela nos faz sangrar diariamente e destrói o país como a um paciente terminal com câncer. Leis protecionistas que não funcionam, impostos cujo único objetivo é preencher mais e mais cabides públicos e o bolso de lobistas e políticos.

A quantidade de pesquisa científica inédita, publicada por brasileiros, é um fio de cabelo comparado à massiva biblioteca de inovações que se vê saindo das melhores universidades americanas, européias e asiáticas. Todas as tecnologias que usamos no nosso dia a dia não veio do Brasil. Nós apenas licenciamos, importamos e aplicamos essas tecnologias aqui. Mesmo as raras exceções de grandes conquistas brasileiras são mais utilizadas lá fora do que aqui dentro. Exemplo clássico disso? A linguagem Lua) que, até por coincidência irônica, tem a página do Wikipedia mais completa em inglês do que em português.

Se a maioria de nossas faculdades e universidades se limita a ensinar o que se descobre lá fora, qual meu incentivo de me formar aqui? Se eu tivesse vocação para pesquisa, teria que me formar lá fora (que é o que muitos de nossos melhores cientistas fazem). Cientista, no Brasil, morre de fome.

E se for para aprender, com muito atraso, o que já se aplica lá fora, porque vou perder meu tempo? Felizmente temos internet hoje. O que eu quero aprender, algoritmos e estruturas de dados? Estatísticas e Probabilísticas? Inteligência Artificial, autômatos finitos? Compiladores? Bancos de dados não-relacionais? Sistemas operacionais modernos? Qual dessas matérias não está coberto por livros e Web? Vou para a faculdade aprender princípios da construção de linguagens modernas? Não, aqui vamos para a faculdade aprender Java. Sinto muito, é muito pouco.

Eu passei pela USP, fiquei 2 anos cursando lá e simplesmente me desmotivei a continuar. Aprendi as teorias de programação todas por conta própria. Apenas para saber que existe o livro do Tanenbaum eu não preciso ficar até o 4o ano esperando para aprender sistemas operacionais. Eu não precisava ter entrado na faculdade para ler o livro do Wirth. Onde estão as pesquisas inovadoras que me prenderiam lá? Onde estão os grandes nomes publicando novos trabalhos? Onde está a inspiração e a motivação para me manter por 4 ou mais anos numa universidade?

E depois que eu me formar? Existe algum grande incentivo para que eu faça pós-graduação, doutorado e inicie minhas próprias pesquisas? Ou se eu sair para a iniciativa privada, as empresas vão me contratar para fazer pesquisa? Ou mesmo se eu quiser abrir minha própria empresa, será que consigo mantê-la?

No Brasil, ser um empreendedor é uma tarefa homérica. É preciso ser Aquiles para não ser esmagado pelo elefante que é a máquina opressora do governo. Você é praticamente um criminoso por abrir sua própria empresa. O Brasil incentiva o “jeitinho”, motiva a recompensa rápida e fácil, porque longo prazo aqui é praticamente sinônimo de prejuízo. As que sobrevivem de longa data são vacinadas e continuar assim. É por isso que um iPhone jamais saria de uma empresa brasileira. É por isso que o próximo processador quântico jamais sairá de uma instituição brasileira. É mais barato, mais fácil e dá mais lucro importar tecnologia do que criar, mesmo com impostos protecionistas.

Enfim, se meu incentivo é apenas receber um pedaço de papel ao fim de 4 anos, porque alguma lei regulamentadora irá me exigir isso, então fiquem com meu exame de urina, é mais barato.

“Jeitinho”, um orgulho nacional

Como estamos numa espiral negativa, universidades ruins, empresas ruins, estudantes desmotivados, nenhuma tecnologia nova, etc. mais ainda essa ridícula “lei regulamentadora” não faz sentido algum.

Antes de mais nada, uma lei que quer regulamentar algo que não é regulamentável é apenas uma ordem para arrecadar mais fundos para os puteiros de Brasília.

Para começar, nossas universidades – como um todo – são muito ruins. Da mesma forma que inventamos os ‘remédios genéricos’, também inventamos as ‘universidade genéricas’. Todo dia aparece uma Uni* com cursos de 2 anos, aprovados pelo MEC, formando ‘profissionais’. Eles existem justamente pelos motivos que falei acima: como se formar se tornou uma burocracia necessária, o brasileiro foi incentivado a criar meios de burlar a burocracia. Se as empresas querem papel, então é papel que vamos dar a eles, mas pelo menos vai custar menos tempo e menos dinheiro.

Vamos definir o que um órgão desses vai regulamentar. Será considerado software ‘certificado’ todo aquele que for feito por pessoas diplomadas, usar o processo ISO-xpto, passar pelo crivo de um ‘fiscalizador’ autorizado, for feito na linguagem Java e rodar em servidores Windows.

Está muito fácil.

É público e notório que a grande maioria das prestadoras de serviço de software, vulgo ‘consultorias’, são um sub-produto das condições que mencionei acima. Um sub-produto do ‘jeitinho’. Nenhuma delas tem interesse algum em melhorar a qualidade de nada, de incentivar pesquisa, de incentivar formação. Se eles tem centros de ‘educação’ para certificar seus funcionários é única e exclusivamente porque as licitações do governo exigem tais papéis.

São elas que tornam o papel de um desenvolvedor mais difícil ainda, porque o governo não tem competência para liderar projetos de software, todo projeto sai pelo menos uma ordem de grandeza mais caro, e o que se conclui é que essas consultorias são as culpadas. E são mesmo, só que aqui é o feitiço voltando contra o feiticeiro pois foi o próprio governo que criou tais aberrações exatamente com atitudes como essa nova “lei regulamentadora”.

Criar órgãos regulamentadores que não tem absolutamente nenhuma idéia do que regulamentar é exatamente o que eu defino como cabide de empregos, serão mais um corpo de fiscalizadores a se subornar. É mais um custo que toda empresa vai precisar pagar para continuar funcionando. Enfim, será apenas mais um obstáculo na já absurda burocracia que temos que enfrentar todos os dias. Do dia para a noite, como resultado disso, será criada mais uma nova categoria de ‘despachantes’ para burlar essas burocracias. Mais uma nova categoria no direito e mais algum trabalho para advogados.

Que benefícios essa lei trás para …
  • os clientes de empresas de software? Nenhum. Se eles já recebiam serviços ruins, vão continuar recebendo, só que mais caro. Se já tinham um bom serviço, vão parar de ter pois muitos dos bons profissionais serão impedidos de exercer e os muitos ruins tomarão seu lugar.
  • as empresas de software? Nenhum. Apenas tornará mais difícil contratar bons profissionais, aumentará custos com burocracia, inicialmente talvez até exista uma inflação nos preços daqueles que já tem diploma em mãos. Será apenas mais um custo a se lidar, mais um custo que precisará repassar a seus clientes. Enfim, mais uma ‘encheção de saco’.
  • os micro-empreendedores que investem em serviços de software? Nenhum. Alguns precisarão fechar as portas pois seu único diferencial muitas vezes era a qualidade do serviço, mas com regulamentações arbitrárias desse tipo, eles não poderão arcar com os custos (subornos) e, ou terão grandes dificuldades em se adaptar, ou irão eventualmente falir.
  • bons programadores? Nenhum. Os que já eram formados, continuam trabalhando mas agora pagando o equivalente a um CREA que além de não lhe proteger em seus direitos ainda irá lhe atacar o tempo todo por nada. Haverá desmotivação à criatividade já que seu trabalho precisará seguir ‘padrões’ arbitrários e ilógicos e eventualmente, o que tiverem condições devem deixar o país.
  • os maus programadores? Todas. O que já são formados, acabam de ganhar uma lei protecionista que o beneficiará com ou sem esforço. É possível que passem a ganhar mais. Haverá maior procura e eles ganham cabides de graça onde se pendurar. O que ainda não se formaram vão querer se formar e nesse caso ganham também as genéricas Uni* que vão distribuir papéis a preço de ouro e ficar ricos no processo.
  • os atravessadores? Todas. Desde Uni* que receberão mais gente em seus ‘cursos’ de baixíssima qualidade, até os profissionais informais que tem ‘contatos’ com os cabides governamentais e oferecerão saídas ‘por baixo dos panos’ a quem puder pagar por isso.
  • os políticos? Todas. Mais cabides de emprego, mais lugares onde empregar familiares e amigos, mais cargos executivos que poderão ser negociados. Mais suborno de lobistas. Mais dinheiro em caixa extraído dos profissionais honestos que pagam impostos e taxas arbitrárias como essa. A maior parte da população será ludibriada novamente porque desconhecem a matéria e eles se elegem de novo. Absolutamente nada a perder.
  • a população em geral? Nenhum. A área de tecnologia brasileira já andava devagar de qualquer maneira, será apenas mais um freio. Com sorte não começaremos a rolar para trás, ladeira abaixo de novo.
Programadores

“Bons profissionais não são formados. Bons profissionais se formam. Bons profissionais, no Brasil, tragicamente podem acabar sendo empurrados a serem péssimos profissionais.”

“Péssimos profissionais não são formados. Péssimos profissionais sempre serão péssimos. Não há esperança para eles.”

Não me interessa se uma pessoa é formada ou não. Me interessa se o profissional é de qualidade.

  • Um bom profissional estuda e pesquisa por conta própria – já que ninguém o incentiva.
  • Um bom profissional está constantemente preocupado com a qualidade de seu trabalho – mesmo que ninguém o recompense.
  • Um bom profissional ajuda o próximo – mesmo que ele lhe esfaqueie pelas costas.
  • Um bom profissional ainda usa seu tempo livre para participar de comunidades, difundir informação, tentar colaborar para a melhoria da área – mesmo que isso lhe renda uma crise de stress depois.
  • Um bom profissional, no Brasil, é um sobrevivente, mesmo com tudo isso ele ainda quer melhorar e tem a habilidade de sobreviver nas selvas.
  • Um bom profissional tem que ser praticamente um Chuck Norris.
  • Um bom profissional guarda fantasias de ver uma Magnum 44 apontada na cabeça de cada político.

Péssimas pessoas são péssimos profissionais. Todo político, por definição, é um péssimo profissional.

  • Um péssimo profissional é um encosto. Faz faculdade não porque quer aprender, mas porque quer o diploma.
  • Um péssimo profissional menciona, logo no topo do seu currículo, as 10 certificações que tem.
  • Um péssimo profissional dá risada de leis como essas: elas vão melhorar ainda mais sua situação.
  • Um péssimo profissional torce pela deterioração do setor, pois no curto prazo ele se beneficia disso.
  • Um péssimo profissional adora leis protecionistas, pois elas protegem sempre tipos como eles, afinal quem cria essas leis são, por si só, outros péssimos profissionais.
  • Um péssimo profissional é como uma barata: asqueirosa e difícil de morrer. Eventualmente alguns péssimos profissionais viram políticos.

Alguns dizem que sou simplesmente pessimista. Será?

%w(Akita On Rails) * 2.0 / Off Topic: Vamos todos impedir a regulamentação da profissão de analista de sistema

Mais um excelente  post retirado de outro blog sobre essa  ridicula lei de regularização da área de informática.

Regulamentar a informática? - O Absurdo das leis, feitas por quem nada entende do assunto.

Por Paulino Michelazzo

Data de Publicação: 19 de Março de 2008

Projeto do senador Expedito Júnior que obteve parecer favorável semana passada na CCT traz uma nova certificação para o profissional de informática: contraventor.

A área de tecnologia foi chacoalhada com um terremoto vindo de Brasília semana passada. Depois de cinco anos engavetado e esquecido em algum escaninho dos gabinetes da capital federal, o projeto de lei 1947/03 que versa sobre a regulamentação do exercício da profissão de analista de sistemas e todas as correlatas (vai desde o "sobrinho" que instala computador até o DBA) do deputado Eduardo Paes volta à vida pelas mãos do senador Expedito Júnior (PR-RO) e toma corpo com o voto a favor proferido pelo relator, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), partindo agora para sua etapa final, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e depois para a câmara a fim de ser sancionado.

A primeira vista nada de mais. Este é mais um daqueles projetos que cansamos de ver saindo da Praça dos Três Poderes. Mas observando-o atentamente é possível perceber seus efeitos danosos e principalmente prevê-lo como algoz de milhares de profissionais do país que passarão em questão de meses da condição de profissionais para a condição de contraventores.

O Projeto

Escondido sob bom português o projeto não só regulamenta a atividade mas também a regula colocando cabestro principalmente sobre aqueles que deixaram suas profissões originais para se enveredar pela informática. Além disso, sobretaxa os profissionais que atuam em duas áreas diferentes mas de uma forma ou de outra, relacionadas. De acordo com o texto original, somente os formados em Análise de Sistemas, Ciência da Computação ou Processamento de Dados poderão exercer a profissão de Analista de Sistema, mesmo que seja um cientista e não analista. Ou seja, contribuições de profissionais da área de biologia para o desenvolvimento de softwares não mais será possível. Da mesma forma que profissionais como matemáticos, astrônomos, médicos, advogados, físicos, professores, músicos e quaisquer outras profissões. De bate-pronto o primeiro que perde é o empresário que terá que contratar dois profissionais: um que é aquele que vai colocar no papel sua assinatura atestando o software e outro, o especialista da área que não pode assinar por não fazer parte da "seleção de ouro" escalada pelo projeto.

Mas não é somente o empresário já espremido pelos impostos que sofrerá um baque. O desenvolvimento de softwares também será tomado de assalto por um conselho e sua máquina caça-níqueis. Acabou a "farra" de empresas, micros e pequenas (principalmente), que criam softwares para as mais diversas áreas. Não mais teremos médicos desenvolvendo softwares e emprestando seus conhecimentos multidisciplinares para a sociedade e o mesmo irá acontecer com advogados, dentistas e com todas as outras áreas do conhecimento. Ao invés de serem criados mecanismos para ampliar e fomentar a indústria nacional de software, criam-se amarras dignas do período colonial de nossa terra.

Como isso tudo ainda é pouco, equívocos foram cometidos (ou colocados de propósito) dentro do texto original para confundir e gerar o medo entre os profissionais. A redação do artigo II, parágrafo III, que trata sobre aqueles que poderão exercer a profissão é um perfeito exemplo disso: os que, na data de entrada em vigor desta Lei, tenham exercido, comprovadamente, durante o período de, no mínimo cinco anos, a função de Analista de Sistemas e que requeiram o respectivo registro aos Conselhos Regionais de Informática.. Com esta afirmação derruba-se a tese apresentada no parágrafo anterior deste artigo. Mas existe um porém; a lei não especifica em nenhum momento e tampouco usa de uma regulamentação para informar como será comprovado o exercício da função. Diante disso fica mais uma vez caracterizado o interesse não na organização, mas sim em engordar os cofres do conselho. A partir do momento que não existem regras claras, o jogo pode ser manipulado de acordo com interesses, bons ou ruins. Assim não irá me impressionar se aquele "sobrinho" sem pêlo na cara entrar pelas portas do conselho e ser aprovado como analista de sistemas. Ou, de outro lado, um exímio programador que já desenvolveu softwares mundialmente famosos não ter sua "carteirinha" pela falta do diploma, fato comum em nosso país que inclui inclusive o próprio senador e o presidente da república.

Tem mais. Até mesmo professores daquelas escolinhas de informática em bairros ou instrutores de projetos como os telecentros de São Paulo ou do Casa Brasil estarão sobre o fio da navalha. O artigo IV, parágrafo IX, diz que dentre os profissionais que poderão exercer a profissão de técnico estão aqueles de ensino, pesquisa, experimentação e divulgação tecnológica.Mais uma vez, um tiro no pé da educação do Brasil que irá perder milhares de pessoas que levam o conhecimento básico da área de informática para interessados em escolas espalhadas pelos bairros das cidades de todo o país devido as "exigências da realidade".

E o desfile não acabou. Para fechar com chave de ouro o projeto joga para a justiça assoberbada de trabalho os processos do conselho contra pessoas que estiverem exercendo a atividade sem o devido registro, que serão categorizados como contraventores e criminosos. Com isso aquele garoto de quinze anos que está em casa com seu computador corre o risco de abraçar 10 anos na cadeia se forem somadas as penas pela pirataria do software (já que não usa software livre), pela compra de equipamento contrabandeado e agora, por estar programando sem ter registro. Um cenário digno das comédias de Dante.

A falácia da regulamentação

Não é de hoje que a regulamentação de profissões se tornou uma fonte de renda esplendorosa para meia dúzia de espertalhões. Como exemplo, o CRA - Conselho Regional de Administração, tenta que todo o executivo de empresa seja um administrador visando principalmente não o fortalecimento da profissão, mas sim o bom lucro que é possível diante destes profissionais. Como fazer isso no mundo de CIO's, CFO's, CEO's que são pessoas obrigatoriamente multidisciplinares, com dezenas de atribuições e conhecimentos muitas vezes antagônicos? Uma exigência absurda como esta derrubaria fora do país pessoas como Bill Gates, Steve Jobs, Carlos Slim de seus postos e no Brasil, a esmagadora maioria dos administradores das empresas públicas e outro enorme pedaço das privadas.

Neste comparativo entram quase todos os conselhos atuais, com exceção da OAB que mesmo não sendo um anjo de candura como alguns advogados acreditam (e eu engrosso mesmo não sendo advogado), possui um mecanismo que a difere de todos os outros: sua função não é somente a de zelar pela profissão, mas também atestar que aquele profissional que está saíndo da faculdade é realmente um profissional. Mediante seu "exame da ordem" ela consegue filtrar, de uma forma ou de outra, aqueles que não possuem as mínimas condições de exercer a advocacia, peneirando assim, logo na primeira leva, o joio do trigo. Nos demais conselhos, somente uma anuidade prá cá, uma carteirinha prá lá, um diploma da faculdade "pegue e pague" e deixa-se de ser contraventor.

O senador ainda argumenta que a regulamentação da profissão de analista de sistemas e suas correlatas tornou-se uma exigência da realidade. Essa atividade, relativamente nova no mercado de trabalho, assumiu uma importância que não pode mais ser desconsiderada. Com estas palavras, além de mostrar que nada conhece da área já que a profissão existe no Brasil desde a década de 50, conseguiu ainda legar à marginalidade outras profissões que não possuem conselho ou que não "merecem" uma lei para a criação destes. Exemplo claro é dos professores que mesmo sendo aqueles que por suas mãos nossos filhos são formados e recebem seus diplomas de médicos, engenheiros, advogados ou administradores e que fazem parte de uma profissão tão importante, tão secular e tão presente em nosso cotidiano, não contam com um conselho. Será que a profissão de professor não tem importância ou será que ela não é uma exigência da realidade? Ou será qu existem outros interesses por trás do projeto?

Mas alguém ganha

Claro que sim, como sempre, alguém ganha. Ganham primeiramente aqueles que saíram de faculdades "pague e passe" que nascem aos borbotões em nosso país. Com as desculpas que agora poderemos trabalhar de igual para igual ou ainda que vai existir um piso salarial para todos, estes pseudo-profissionais serão beneficiados com o projeto pois poderão "carteirar" aquele que não entra no jogo sujo do conselho, denunciando o contraventor.

A grande desculpa destes para a criação do conselho é comparar espertamente a área de tecnologia com a área de medicina ou advocacia, alegando que é necessário ter uma regulamentação para a exclusão dos picaretas do mercado. Esta tarefa não é e não será realizada pelo conselho pois se assim fosse, prédios não cairiam e não seriam encontradas pinças e bisturis dentro de pessoas. Também não pode ser realizada pelo conselho pois ele não possui nenhum mecanismo que ateste a qualidade do profissional. Ela deve ser feita como é até agora e de forma extremamente eficiente, pelo mercado. Além disso a comparação peca por diversos motivos, sendo alguns deles a forma de aprendizado, as oportunidades de obtenção do conhecimento e a capilaridade do mercado e da profissão. Não existem certificações para medicina nos mesmos moldes da computação. Da mesma forma, não é encontrado fartamente na Internet conhecimento médico sobre neurocirurgia como é encontrado sobre Java. Este cenário faz com que seja muito mais fácil, rápido e producente ser um programador do que um neurocirurgião. Duas realidades totalmente distintas cujas formas de "atestar" o conhecimento são muito diferentes mas muito bem resolvidas para ambos os lados.

Se tudo isso não for suficiente, ainda existe a analogia da qual todos os que desejam um conselho fogem. A informática pode ser comparada hoje ao idioma português falado em nosso país. Sua presença é tão forte e não natural em nosso dia-a-dia que não é preciso ser formado ou ter um curso qualquer para mexer com um computador ou programá-lo. Da mesma forma que o português pode ser aprendido não somente na escola, a informática é onipresente em nossas vidas. Isso não ocorre com nenhuma outra área das comparadas, deixando-as então em um nicho específico onde é sim, sem dúvida, necessária uma regulamentação.

Também ganham estas mesmas faculdades que poderão usar de marketing de massa para alardear em seus domínios que seus cursos dão direito ao registro no conselho, enganando assim duplamente aquele que sua a camisa todos os dias e tenta com este mesmo suor ser alguém na vida.

Mas a lista não acaba. Em um exercício que me permito fazer sobre a "teoria da conspiração", ganham certas empresas que lutam com unhas e dentes contra o software livre, contra a pesquisa da universidade pública e contra o compartilhamento do conhecimento. Com projeto de tal naipe será possível agregar valor nos cursos das faculdades acima citadas ou criar um pacote de conhecimentos para os técnicos que poderão então, além de serem certificados, ter o registro no conselho. Puro devaneio pouco provável mas nunca impossível.

E do outro lado" Quem perde?

Muitos. Perdem os empresários que, se não possuírem em seus quadros profissionais "carteirados", estarão em maus lençóis com o conselho e com a justiça. Perdem as micro, pequenas e médias empresas que contratam um, dois, cinco profissionais e não mais poderão fazê-lo. Perdem os auto-didatas que por força da lei e não tendo como comprovar com uma carteira assinada, por exemplo, a condição de analista, não mais poderão exercer seu trabalho e finalmente perde a sociedade que, mediante a burocracia e "burrocracia", decepa empregos, cria mais entraves para aqueles que realmente tentam fazer desta terra uma terra para todos e pagam o custo do produto informático que, com pouca concorrência, verá seu preço elevado (sendo que isso não reflete no aumento da qualidade).

Finalizando

O molde de conselho em nosso país é anacrônico e desprovido de mecanismos que interessam efetivamente a sociedade. E para uma profissão (e suas correlatas) tão dinâmica como a informática, torna-se uma verdadeira bola de ferro atrelada aos seus pés que nos leva na contramão do que acontece em todo o mundo. Países como Cingapura, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e tantos outros do chamado primeiro mundo, além de outras dezenas do segundo, terceiro e quarto mundos deixam o mercado regular suas necessidades de informática e não possuem conselhos, mas sim entidades de profissionais que representam aqueles que desejam, SEM OBRIGÁ-LOS a se filiar na mesma. Suas principais funções são de criar uma estrutura aberta e não obrigatória que ateste tanto os conhecimentos quanto a ética dos profissionais, permitindo assim que estes tenham um "plus" em seus curricula.

Muito me impressiona o senador não ter consultado a área interessada (empresas e profissionais) ou ao menos ouvido as palavras daqueles que já estudaram e discutiram exaustivamente o assunto como é o caso da SBC - Sociedade Brasileira de Computação. O mesmo acontece com o relator, antigo conhecido nas polêmicas tecnológicas como o projeto de controle da Internet que certamente ouviu as águas da pampulha e não do DCC da UFMG, alguns quilômetros adiante.

Para nós, profissionais e empresas da área de tecnologia resta mais uma vez entrar na batalha contra o cerceamento do uso de nosso conhecimento ou, quem sabe, virar criminoso mas sem as benesses daqueles que possuem imunidade gozam.

[Dicas-L] Software Livre e GNU/Linux

Nivelando por onde ? - O Absurdo das leis, feitas por quem nada entende do assunto - II

Por Paulino Michelazzo

Data de Publicação: 03 de Abril de 2008

Depois de quinze dias de comentários e mensagens que beiram o fanatismo, retomo o tema da regulamentação com mais alguns pontos passíveis de serem pensados na cama.

Posso classificar as duas últimas semanas que se passaram como muito interessantes e também muito esclarecedoras. Imaginava que o assunto da regulamentação da área de informática era picante mas confesso que não esperava a enxurrada de mensagens eletrônicas que recebi e tampouco a quantidade de acessos ao artigo na Dicas-L. Além disso, o texto foi comentado mais de cem vezes de todas as formas possíveis, variando desde a ignorância sem limites até acréscimos de idéias interessantes ao assunto.

Diante disso não poderia me furtar de retornar ao tema e comentar o que foi dito pelos leitores. Assim preferi aguardar para, em conjunto com outros comentários em outros sites onde o assunto foi abordado, juntar novos inputs ao mesmo e responder tudo de uma vez só. Claro que este artigo não é somente para refutar comentários, mas principalmente trazer à luz do tema alguns pontos que não foram percebidos pela grande maioria dos participantes.

Filinho de papai, sem conhecimento de informática e 40 anos

A Internet é sem sombra de dúvida a mais fácil, mais ágil e mais eficiente forma de saber qualquer coisa sobre qualquer coisa. Desde informações sobre os templos de Angkor no Camboja até os dados pessoais de uma pessoa, tudo é possível dentro da rede. Mas de nada adianta a informação estar disponível; é preciso também saber encontrá-la e principalmente querer encontrá-la. Pelo visto o time da regulamentação não é muito bom em nenhuma destas coisas além de usar técnicas conhecidas desde a Idade da Pedra para subjulgar seus oponentes usando o medo, dúvida e incerteza como armas.

Minha afimação acima advém de comentários onde fui aviltado por alguns que tiraram conclusões sem ao menos pesquisar o mínimo necessário. Dentre elas estão a minha falta de conhecimento de informática, ter meus quarenta anos e ser filinho de papai. Ora, nenhum destes (e outros tantos) comentários são verídicos e poderiam ser facilmente verificados com uma pesquisa no Google ou ainda na própria página inicial da coluna. Pior ainda é ver estes mesmos defensores sem a mínima capacidade de procurar o projeto de lei para comentá-lo mas mesmo assim o idolatram. Com isso fica a certeza que estes são, via de regra, incapazes de debater uma idéia e apresentar seus pontos de vista de forma que seja efetivamente feito um debate em torno de qualquer assunto, o que me traz o medo de ter estes mesmos debatedores como diretores de um conselho, pois fico imaginando o nível de conselheiros que teríamos.

referente a assunto Regulamentar a informática, profissional abilitado e outros açoites ao português (que não é o da padaria)

Não, não me venha com a desculpa que se escreve errado por causa da velocidade de digitação. Erro de digitação é trocar uma letra por outra e não cometer erros crassos de ortografia ou concordância, principalmente quanto quem os comete passou por uma faculdade, é legalmente portador de um diploma universitário e defende que sua profissão seja regulamentada. Não seria o caso do conselho ter também uma prova de português para estes profissionais?

O mínimo que se espera de uma pessoa que estudou durante pelo menos quinze anos de sua vida é que saiba se expressar e conheça o idioma nativo. Tenho que concordar que um analista de sistemas, um cientista da computação, um técnico em processamento de dados ou qualquer outro profissional que trabalha com zeros e uns não possui a obrigação de escrever em português erudito. Mas disto a escrachar o idioma profetizando frases sem contexto e com ortografia digna de riso é no mínimo falta de interesse. Direito a escrever errado tem somente os Demônios da Garoa, o restante não (mais uma vez fico imaginando o nível de conselheiros que teríamos).

Os analistas responsáveis pelas vidas alheias

Teima-se como criança birrenta em traçar um paralelo entre médicos, dentistas ou engenheiros com um analista de sistemas ou profissional de informática, usando para isso a regulamentação da profissão e a responsabilidade sobre vidas alheias. Diante da teimosia me veio ao pensamento algo interessante: quando estava retornando da Ásia em janeiro passado, a viagem entre Dubai e São Paulo foi realizada num aparelho com cerca de 350 pessoas a bordo. Pensando agora sobre o assunto, questiono-me se tanto o piloto quanto o co-piloto faziam parte de algum conselho como o CRPCPA Conselho Regional dos Pilotos e Co-Pilotos de Aviões, afinal eles estavam não somente conduzindo um equipamento de duzentos milhões de dólares, mas também eram responsáveis pela vida de 350 pessoas.

Procurei saber se existe um conselho de pilotos. Não, não existe em nenhum país do mundo mas existem organizações nacionais, regionais, estaduais e até municipais, sendo que todas são organizações não-governamentais que não possuem vínculo com os governos e tampouco obrigam que pilotos se associem as mesmas. Mas então, como é regulada a profissão? Simples: o piloto precisa estudar, ser aprovado em vários testes e ter X horas de vôo para poder pilotar equipamentos que vão desde pequenos Cesnas monomotores até gigantes A380. Esta estrutura não obriga que o piloto seja um especialista em aerodinâmica ou ainda um perito em física. Ele precisa provar que sabe pilotar, só isso (claro que nas provas existem várias questões de cunho científico).

Estas organizações não são excludentes, ao contrário. Elas permitem que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento e que passe nos testes seja um piloto. Não se exclui ninguém da profissão quer seja por diploma, curso superior, profissão anterior ou coisa que o valha. Um exemplo interessante é do famoso ator de hollywood John Travolta que além de seus filmes campeões de bilheteria, também é piloto certificado em diversos aparelhos com mais de cinco mil horas de vôo e foi o primeiro piloto não-beta a levantar um A380 do chão. Alguns podem achar estranho esta faceta do premiado ator, principalmente quando este estudou artes dramáticas e não engenharia. Será que por isso ele não poderia pilotar e ter sob sua tutela 300 pessoas dentro de um avião?

Na contramão deste pensamento vejo a queda do Expresso Tiradentes em São Paulo esta semana e fica o questionamento: onde estava o conselho que não fiscalizou os engenheiros que estúpidamente derrubaram toda aquela montanha de concreto? E se a tragédia tivesse acontecido daqui há dois anos com ele em funcionamento, vinte ônibus em cima e mais algumas centenas de carros embaixo?

O pior equívoco cometido pela maioria dos comentaristas é confundir regulamentação com regulação. Permito-me dizer que a maioria, senão a totalidade daqueles que são contra a regulamentação, não são contra a regulação pois estes inclusive já vivem sob ela. Entretanto aqueles que são a favor da regulamentação, na esmagadora maioria dos casos não sabem qual a sutil diferença entre os dois adjetivos no contexto em que se aplica. O primeiro, a regulamentação, visa não a profissão mas sim criar regras que muitas vezes são anacrônicas para o profissional. Já regular é aquilo que vemos no cotidiano da informática: uma modelagem de dados seguindo padrões pré-estabelecidos, um protocolo que possui regras para seus pacotes trafegarem em uma rede, a tipagem de uma linguagem e assim por diante. Isso regula o que fazemos no dia-a-dia e regulamentar não irá regular a profissão pois tal qual um piloto, o profissional não precisa de um órgão atrelado a um governo para dizer o que ele deve ser. O governo (será que ele?) deveria somente regular a informática em conjunto com outros órgãos mundiais e não enfiar sua colher suja no angú dos outros.

Quem cuida de direitos do profissional não é um conselho, é um sindicato. Isso é tão claro como água cristalina. Sindicatos são responsáveis por defender os direitos de trabalhadores de suas categorias perante qualquer instância. Metalúrgicos não possuem conselho pois a regulação do trabalho é feita mundialmente sob parâmetros já estabelecidos. Metalúrgicos possuem sindicatos que defendem os interesses da categoria no tocante aos seus direitos e deveres. Este é um único exemplo de profissional. Poderiam ser citadas outras centenas mas não existe necessidade aqui. Entretanto, fica a pergunta: você já viu a OAB, CRA, CREA, CRM, CRP ou outro conselho qualquer convocando greve da categoria? Por quê será que não?

Qualificar por meio de um conselho?

Outro ponto interessante que foi levantado é que o conselho traria a qualificação do profissional. Tentando ver pela mesma ótica, não encontro um conselho dos montadores de computadores Dell, HP, Lenovo ou qualquer outro que seja em qualquer país do mundo. Procuro na Malásia e China onde estão estabelecidos os maiores parques de montagem de máquinas e nem mesmo um sindicato para defender os interesses destes trabalhadores quase escravos existe na maioria destes países. Mas mesmo assim estas máquinas continuam a melhorar de qualidade dia após dia, mesmo que a passos de tartaruga. Também tento encontrar o conselho dos metalúrgicos da indústria automotiva do ABC e adjacências e não encontro. Mas da mesma forma que os montadores de hardware, nossos carros saem das fábricas com problemas, mas em número muito menor que há dez anos. Será que quando criado um conselho para estes profissionais, os produtos melhorariam efetivamente pelo fato de todo o montador ter a necessidade de ser engenheiro ou torneiro mecânico ou será que o treinamento constante e efetivo (o qual nenhum conselho é capaz de fornecer) é mais eficiente?

Você não pode fazer software, você é geneticista

A pós-doutora e professora da UFMG Ana Cristina Matte coordena os grupos de estudo do SEMIOFON que resumidamente estuda a semiótica e acústica da fala do português brasileiro. Mas ela juntamente com outros professores de univesidades públicas do Brasil (já que as privadas não fazem pesquisa como já dito pelo dono da Estácio de Sá no Rio de Janeiro), por força deste projeto terão que ficar só na masturbação mental. Explico: a pós-doutora se formou em música pela Unicamp, fez mestrado e doutorado em linguística e finalmente seu pós-doutorado está na área de fonética. Ou seja, nada a ver com informática (ledo engano não?). Mas faça uma visita ao site do SEMIOFON e veja onde está a fonética.

O mesmo irá acontecer com pesquisadores que trabalham com agricultura dentro do famoso Instituto Agronômico de Campinas. Teremos que esquecer pesquisas de citros, de soja, de café, de arroz e outras tantas porque estes profissionais são engenheiros agrônomos e não analistas de sistemas. Fazer software não poderão e, além disso creio que não vão querer pagar para dois conselhos diferentes.

Pior mesmo ficarão os paulistanos que terão agora um analista de sistemas formado na FMIA (Faculdade dos Marreteiros de Informática e Associados) prevendo a meteorologia. Como ele entende de software e não de nuvens, qualquer coisa entre um cirrus e um cumulus será imperceptível e claro, não trará efeitos para a população. Também teremos um abacaxi daqueles para descascar com este projeto já que está em moda a questão do direto eletrônico. O direito é área de advogados, juízes, promotores, procuradores e todos aqueles que cursam uma faculdade de direito. A área eletrônica a que se refere o direito é voltada a informática. Então, como ficamos? O advogado terá que fazer outra faculdade de análise de sistemas porque não poderá falar técnica e juridicamente sobre um software e tampouco fazer qualquer coisa que seja da área de informática ou tecnologia porque não é analista?

Estou exagerando? Pois leia o projeto e verá que não. Mas quem vai fazer o software não é a lingüista, o agrônomo, o meteorologista ou o advogado, mas sim o analista. Sim, é verdade. Mas se qualquer um destes possuir a capacidade para fazê-lo, não será possível pois não é formado na área e além disso o projeto veta o empréstimo do nome do analista para terceiros. E aquele que é de uma destas áreas e empresta seus conhecimentos para área de software, o que faz?

Mais um outro problema. Esqueçamos o OLPC e o Linux em seu kernel 2.4. Um dos principais responsáveis por eles é um garoto que só entrou em faculdade para ministrar palestra ou participar de evento e mesmo assim, por mais incrível que possa parecer, foi contratado por um tal de Nicholas Negroponte para fazer parte da equipe que cria softwares usados em todo o mundo e antes disso teve o aval de um tal de Linus Torvalds para cuidar de um kernel de um sistema operacional que é usado por milhões de pessoas.

Equipes multidiciplinares

Mas o melhor ainda está por vir e será o cenário de Mad Max que iremos participar. Empresas de todo o país não mais poderão criar equipes multidiciplinares para o desenvolvimento de software pois muitas vezes os pares que trabalham nestas equipes não possuem um conselho do lado de lá e muitas vezes também não possuem um curso superior. Mas mesmo que o participante tenha um diploma debaixo do braço, este diploma deverá ser revalidado no país para que ele possa atuar. Mais burocracia, mais entraves e uma reserva de mercado embutida de brinde no projeto. Nem mesmo Mister M faria mágica melhor.

Com linhas de acesso rápidas, tecnologias DSL e 3G e o custo de equipamentos portáteis sendo reduzidos dia-a-dia, o trabalho na área de TI será cada vez mais globalizado e passível de ser realizado de qualquer parte do planeta. Mesmo não tendo sob meu braço manco um diploma, são vários os projetos que já entreguei para clientes na Europa, Ásia e América do Norte. Nunca fui questionado no tocante a minha formação, mas sim tive que apresentar referências sobre meu trabalho para que fosse avaliado e pudesse pegar o job, não importando onde estava. Da mesma forma, aquela que é considerada a melhor universidade da América Latina não procurou saber se a pessoa que iria colocar seu novo website no ar dentro do prazo previsto possuia um diploma de engenharia ou análise, mas procurou alguém que não deixasse a magnífica reitora esperando.

Não se deixe enganar

Um conselho não vai resolver problema de mão-de-obra qualificada. Um conselho não vai resolver problemas de maus profissionais e não irá garantir salários dignos (coisa que nem o mínimo é digno). Nos moldes que o conselho foi pensado, não existe nada em absoluto que separe o joio do trigo. Ao contrário disso, aqueles que não são capazes de enfrentar o instalador de Windows e que saíram da FMIA poderão ser equiparados com aqueles que saem das melhores faculdades do país e lutar lado a lado numa greve do CRI por melhores salários. Um sonho que possivelmente aqueles que são desta nobre universidade oram para todos os deuses que se concretize.

A solução não é um conselho atrelado ao governo ou quiçá uma central sindical. A solução é a organização dos diversos grupos da informática para que criem suas organizações e com elas possam debater o futuro da profissão como um todo. Vejamos os profissionais de Java dentro de seus grupos, as organizações de profissionais de segurança da informação ou ainda aquelas voltadas para os DBA's. Precisamos mais que isso?

O exemplo de fóruns de discussão são muito bons para esta situação. Em um fórum encontram-se pessoas que sabem muito e pessoas que não sabem nada mas mesmo assim lá estão aprendendo, crescendo. Não existe obrigação da associação mas claro que quando uma empresa precisa de um profissional, a busca é iniciada normalmente dentro destes ambientes e suas qualificações são efetivamente usadas como aquilo que separa o bom do mau profissional. Será que um conselho é capaz de trazer esta sinergia para todos e principalmente, separar o que presta do que não presta? Pense a respeito.

[Dicas-L] Software Livre e GNU/Linux